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SUCESSÃO NAS EMPRESAS FAMILIARES REQUER APOIOS
 
   
Na Europa, o processo de sucessão nas empresas familiares demora nove anos e meio, em média, a preparar e executar. É muito tempo e pode constituir uma ameaça à prossecução do negócio, potenciando as situações de atrito no seio da família. É por isso que se justifica a existência de um “Chief Emotional Officer” nessas empresas, que em número ultrapassam os 40 milhões só no velho continente.

 

O outro CEO das empresas familiares deve ser o máximo denominador comum entre sucessores e sucedidos, ter capacidade para prevenir conflitos, preparar o processo de transmissão atempadamente e atuar exclusivamente focado na sustentabilidade do negócio.

A proposta, já anteriormente defendida em vários fóruns empresariais e académicos, voltou a ser feita, a várias vozes, no segundo dia do Encontro Anual da Associação Europeia de Garantia Mútua.

Desta feita, porém, Bernard Jehin, vice-presidente da Transeo – Associação Europeia para a Transmissão Empresarial, reuniu um conjunto de argumentos fortes: esta temática vem sendo cada vez mais estudada, os pedidos de ajuda das Pequenas e Médias Empresas (PME) europeias de raiz familiar estão a aumentar e o seu impacto no emprego e na economia dos 28 países da União Europeia continua a ser relevante. Mas, ainda assim, as respostas são insuficientes, quer no acesso a meios de financiamento para uma boa e preparada transmissão da propriedade quer na gestão das emoções associadas a este tipo de processos.

É por isso que as instituições europeias de garantia de crédito para PME estão particularmente sensíveis e vão dar mais atenção ao problema e apresentar à Comissão Europeia propostas de revisão das exigências legais e regulatórias a que estão obrigadas, de forma a prestar um apoio “mais efetivo” às organizações familiares que recorrem à garantia para poderem prosseguir com os seus negócios.

Estas foram as ideias-força que resultaram dos debates havidos na conferência internacional sobre “A sucessão nas empresas familiares”, cujo tema foi analisado sob três perspetivas: de negócio, financeira e internacional.

É que, como destacou o presidente da AECM, o austríaco Bernhard Sagmeister, as empresas familiares são “a forma mais antiga de organização comercial”, representando atualmente cerca de dois terços das empresas existentes no mundo e sensivelmente 70% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Só na Europa há mais de 40 milhões de empresas familiares, o equivalente a 85% de todo o universo empresarial europeu. Estão presentes em todos os setores económicos e asseguram 60% do volume total de emprego no nosso continente.

Pela sua matriz familiar, estas empresas enfrentam diversas dificuldades para além da gestão corrente. Uma das mais preocupantes, apontou, é o planeamento e realização com sucesso do processo de transferência da propriedade intergerações. Bernhard Sagmeister salientou, a este propósito, que 70% das empresas familiares não sobrevivem à segunda geração e 90% não chegam à terceira geração”.

“O tema está na ordem do dia na Europa e é extremamente importante. A sucessão corresponde a uma fase crítica da empresa, durante a qual surgem sempre questões difíceis de resolver”, referiu Wilhelm Molterer, diretor do Banco Europeu de Investimento, outro dos intervenientes na conferência.

Os decisores comunitários têm consciência da situação e, segundo Kristin Schreiber, diretora do programa europeu COSME, a Comissão Europeia está em vias de concretizar várias iniciativas que pretendem ir ao encontro das necessidades apontadas e favorecem o aparecimento de um modelo de intervenção para a sucessão nas empresas em contexto transfronteiriço.

 
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